A renomada artista brasileira Joyce Moreno lança hoje, 12 de junho, um álbum que promete encantar tanto pela musicalidade quanto pela temática abordada. 'O Mar é Mulher' surge como uma ode à força do feminino, explorando com maestria a linguagem da música e dos sentimentos. Este lançamento, já aclamado com quatro estrelas e meia pela crítica, vem como primeiro trabalho inédito de Joyce desde 'Brasileiras Canções', em 2022. A reflexão subjacente a 'O Mar é Mulher' nasceu durante uma viagem introspectiva da artista, onde ela percebeu que, em diversas línguas, o mar é uma palavra feminina. Com essa descoberta, Joyce Morena compôs, em janeiro de 2024, a faixa-título que, dentro do estúdio, ganhou vida em forma de samba-canção, adornada pelas cordas da Tallin Studio Orchestra, sob os arranjos de Mario Adnet. Este sofisticado arranjo pretende capturar o movimento hipnotizante das águas do oceano. A canção, tão rica em suas nuances, dita o ritmo do álbum, sendo um passeio sonoro pelas próprias águas que Joyce rios do passado musical feminino brasileiro. Voltando um pouco no tempo, 'Feminina', de 1980, foi o disco que projetou Joyce Moreno nacionalmente, graças a interpretações icônicas de cantoras de peso como Elis Regina e Maria Bethânia. Agora, já com 77 anos, a artista carioca celebra uma trajetória marcada pela inovação e pela quebra de paradigmas. 'O Mar é Mulher' segue essa linha, lançado em parceria com a Biscoito Fino, numa data simbólica: o Dia dos Namorados. Assim como no passado, Joyce mantém a tradição de cantar sob a perspectiva feminina. Desde seu primeiro escândalo com 'Me Disseram', em 1967, a artista não tem medo de abordar temas íntimos e universais sob essa ótica. Neste novo trabalho, ela é acompanhada por músicos extraordinários, como Tutty Moreno (bateria e percussão), Helio Alves (piano) e Rodolfo Stroeter (baixo), formando a banda-base que confere intensidade e sutileza às faixas. Destaque para o instrumental vibrante de 'Tudo em Casa', onde Joyce embala o ouvinte em um misto de samba e jazz, provando, mais uma vez, o seu talento para navegar entre estilos com a mesma destreza com que conduz seu violão. Assim como a maré, as músicas de Joyce trazem novas vivências à tona. A faixa 'Adeus, Amélia', lançada como single em maio, é um excelente exemplo. Nela, a compositora revisita e desafia o controverso clássico 'Ai, que Saudades da Amélia', de Ataulfo Alves e Mário Lago (1942), imprimindo uma visão contemporânea e feminista nas entrelinhas. O vigor dos arranjos de metais, elaborados por Rafael Rocha, é algo a se destacar, mantendo o ritmo vibrante e com toques de uma gafieira moderna. Este álbum ainda surpreende com um dueto memorável ao lado de Jards Macalé em 'Um Abraço do João'. Já apresentada no 'Síntese do Lance', de 2021, a canção ganha novos contornos aqui, evoluindo para um suingue inconfundível e uma cadência envolvente. São essas colaborações e a reinvenção contínua que consolidam Joyce como uma das grandes intérpretes e criadoras de sua geração. Entre as composições inéditas de 2025, estão 'Novelo' e 'Canção de Búzios'. Em parceria com Paulo César Pinheiro, 'Novelo' seduz com uma atmosfera íntima, imersa no toque jazzístico de Helio Alves. Já 'Canção de Búzios', lastreada em versos de Ronaldo Bastos, ganha pela primeira vez vida musical. A lenda diz que Milton Nascimento quase a musicou, mas foi Joyce quem capturou sua essência, enriquecendo-a com percussões evocativas que fazem o ouvinte se perder em um imaginário de conchas e o barulho suave do mar. 'Imperador' e 'Comigo' são evidências claras das multifacetadas habilidades de Joyce. Enquanto 'Imperador' enaltece o feminino com sua parceria tripla com Donato e Donatinho, 'Comigo' é um testamento à autossuficiência, uma bossa nova que se identifica com toda mulher que se reconhece capaz por si mesma. Essa mesma força transcende em 'Os Ventos', onde o inspirador sopro da flauta de Teco Cardoso adiciona ao repertório uma sensação de renovação e cura. Para concluir este mar de novidades, 'Desarmonia' desponta, conhecida do público, foi rearranjada por Joyce ao fechar o álbum em um tom contemplativo, apenas com voz, violão e o leve bater de tamborim de Tutty Moreno. Ao embarcar nesse trajeto musical ao lado de Joyce Moreno, reconhecemos que 'O Mar é Mulher' não é apenas um álbum, mas um movimento. Ele reafirma a influência e a contribuição de mulheres na música brasileira, um movimento carregado pelo legado que a própria Joyce começou a articular em 1967. Hoje, é possível testemunhar como a influência do seu ativismo e arte ressoam ainda mais forte, em ondas criativas que continuam a moldar o cenário musical. A apropriação do feminino que Joyce criou é agora uma parte essencial e indissociável da cultura musical brasileira, e 'O Mar é Mulher' vem para eternizar esse feito. Joyce continua um farol, guiando novas gerações a se expressarem e se posicionarem, reafirmando o que sempre soubemos: o feminino é uma força poderosa no mundo das artes.