A música tradicional brasileira ganha novas dimensões com o lançamento do 24º álbum solo de Chico Lobo, intitulado "Sertão". Este trabalho promete levar os ouvintes a uma viagem profunda pelo interior do Brasil, explorando o espírito intemporal das veredas com uma mistura de inéditas e regravações, sempre embalado pela sua autêntica viola.
Chico Lobo, violeiro nascido em São João Del Rei, Minas Gerais, une forças neste álbum com icônicos músicos como Edu Lobo, embora o sobrenome em comum os confunda como parentes sem sê-lo. A colaboração com Edu é simbolizada na música "Não ensaco essa viola", um dos singles que foram lançados antecipadamente, cativando os fãs desde agosto. O álbum estreará oficialmente no dia 3 de outubro.
O violeiro mineiro amplifica o alcance de sua obra ao trazer para "Sertão" não apenas parceiros frequentes, mas também nomes como Amazan, participando da faixa "Forró cerrado", um dos primeiros lançamentos do álbum. Esta música, composta em parceira com Makely Ka, consolida uma ponte entre as raízes nordestinas e as mineiras, destacando a riqueza cultural do interior brasileiro.
Outra regravação que chama a atenção é "Ponteio", uma peça envolvente que remete a 1967, recriando a colaboração histórica entre Edu Lobo e José Carlos Capinan. O álbum ainda resgata "Cantata", colaboração com Vitor Ramil, anteriormente incluída em "Caipira do mundo" (2011), mas agora renovada com novas camadas sonoras e interpretações.
A abrangência do álbum não se limita às revisitações. A safra inédita é igualmente instigante, incluindo "Hoje sei que volto", praticamente uma guarânia, que conta com a contribuição da violeira Adriana Farias; "Encruzilhada", um mergulho místico no universo do sertão mineiro; e "Nosso amanhecer", uma balada romântico-country dedicada a Ângela Lopes, produtora e esposa de Chico há três décadas.
Entre os destaques está "Profissão de fé", colaboração com Wander Lourenço que reafirma a influência nordestina e complementa o álbum com a presença imponente do ator e músico Jackson Antunes. Cada canção de "Sertão" representa um tributo à vastidão cultural do Brasil interiorano, explorando sotaques e ritmos que dialogam entre si.
O clímax desta jornada musical é "A teia da viola", que transcende fronteiras e se expande ao cruzar o Atlântico com a participação do violeiro português Rafael Carvalho. Este encerramento glorioso ilustra a capacidade de Chico Lobo de unir diversas tradições musicais em um só compasso.
Publicada pela gravadora Kuarup, a chegada de "Sertão" marca um passo significativo na carreira de Chico Lobo, seguida de seus lançamentos de "60 Anos" e "Ao vivo na estrada". Este novo álbum reitera sua missão de preservar e inovar a música popular brasileira, preparando o público para receber mais um capítulo musical vibrante e enriquecedor dos seus repletos anos de carreira.


